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  Áudio do texto lido pelo escritor... 🎧 Era um domingo de 2019, chovia e eu estava doente. Quando acordei, não imaginei que faria uma viagem completa no turno da tarde. Tenho regras contra sair doente, ainda mais na chuva. Mas rompi com todas elas para ir a um refúgio, um velho refúgio na praça Gago Coutinho. Não, não era a primeira vez, e não sabia que o que me reservaria a vida cinco anos depois. No tal domingo, barracas estavam sendo montadas na rua, cordões de luzes amarelas sendo colocados nos postes, sinal de festa, lavagem da rua em pleno dia de domingo. Detesto festas de rua, som alto, música brega e brigas. O que esperar de gente conflitada enchendo os canos? Senhora minha mãe não quis esperar nada. Olhou a balbúrdia na porta, virou-se, pegou uma velha arma metafísica, olhou para mim, deitado no sofá, e atirou-me à queima-roupa a coisa mais inesperada do ano: — Vamos ao aeroporto! — O quê? — Ao aeroporto, faz anos que não vamos lá. — respondeu. E, de fato, faziam a...

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